Reações sobre o AuPair

segunda-feira, novembro 18, 2013 Aline 11 Comments


Eis o post que penso dia e noite em fazê-lo! :p

Primeiramente, quero deixar claro que nenhuma reação ou opinião me fez repensar minha decisão. Quando 'saí contando por aí' já sabia para onde ia, quem era a família, visto em mãos e data de embarque. O momento o qual comecei a pensar se ia (ou não), pesar pós-contras e o durante do processo (documentação, indicações, entrevistas) foi compartilhado apenas com poucas pessoas que julguei serem necessárias para opinar, me guiar e ajudar. E faço disso uma dica!

1ª: Coragem
Nunca ouvi/li tanto essa palavra. Jamais imaginei que seria um adjetivo remetente a minha pessoa, até porque já desisti de muitas coisas quando estavam pela metade - e o processo de AuPair era uma das quais eu não acreditava que iria chegar até onde cheguei. Por isso mesmo não me dou o crédito por ser corajosa, porque se eu realmente fosse não teria desistido como fiz (cancelei meu contrato já parcialmente pago com a CI), ou talvez, teria sido corajosa suficiente para encarar minha realidade aqui e meu futuro - afinal, comprar um carro e um apartamento e arcar com os custos pode ser tão doloroso quanto 'largar tudo e ir pro mundo'. 

O fato é que essa palavra desperta MUITOS sentimentos e reações em mim. 

Minha versão mais 'ignorante e intolerante' responde a alguns (repito, alguns!) dessa forma:
"Tô cansada de ver tanta gente dizer que queria ter a mesma coragem e fazer o mesmo; cansada de ver pessoas 'infelizes', que sonham e simplesmente não saem da zona de conforto. Pára de falar e faz! Se eu tô fazendo e tantas outras meninas também, por que esse povo fica arranjando desculpas? Ninguém vai tomar a decisão por você."
Se optou pelo namoro ou seja lá o que for, não fique se remoendo. Se sonha em pisar em terras estrangeiras, o faça pelo menos uma vez na vida. Ou toma coragem ou vive a vida sem pensar como ela teria sido se sua escolha fosse outra. Saia do muro. 

Já minha versão mais madura e humana simplesmente agradece e fica feliz, pois os outros conseguem ver em mim uma pessoa que conseguiu ter forças e seguir seu sonho. Me alegra muito quando reconhecem - não que eu esteja esperando reconhecimento, mas todo elogio vai bem. E agradeço mais uma vez: OBRIGADA! 

2ª: Indagação
Essa vem geralmente dos mais velhos, tipo familiares ou pessoas do trabalho. Como mencionei no Facebook, ouvi várias vezes a pergunta: 'Vai largar o emprego bom em uma multinacional pra viver uma loucura, para ser babá de criança dos outros?'. E repito minha resposta mais uma vez: ser babá tem o mesmo valor de uma secretária bilíngue. Profissão, nem local de trabalho e tampouco a remuneração NÃO ditam o caráter e valor do ser humano. E complemento dizendo que se eu não conseguir uma boa colocação quando retornar ao mercado, qual o problema em continuar sendo babá aqui? Ou trabalhar em uma loja? Ou frentista? Qual a diferença dessas funções que exemplifiquei com um analista de uma multinacional? (Não quis ofender nenhuma delas, estou apenas tentando demonstrar meu respeito a TODAS, assim como não veria qualquer problema em atuar em).

Não fico abatida com essas perguntas, tampouco com alguns comentários meio destrutivos que chegam nas entrelinhas. O que sinto é somente pena. Cada um tem o direito de ter a opinião que quiser, mas EU vejo como uma mente fechada - como se o mundo fosse só isso, trabalho fosse somente um e não houvesse uma vasta opção de trabalhos por aí. Meu pai trabalhou na roça colhendo café, foi engraxate, garçom e se aposentou como motorista. Tá, e daí? Daí que ele sustentou nossa família e se eu e minha irmã chegamos onde estamos, foi pela família que tivemos. Não tivemos quem pagasse o casamento, ou o intercâmbio - nem ao menos nossas roupas, nossos pequenos luxos. Ele não foi super-chefão em uma multinacional, ou um engenheiro (cargo que costumam usar para humilhar minha escolha acadêmica) - mas hoje tem uma vida bem estável. A vida que se leva é a vida que se faz (isso daria um bom título de livro ou refrão de música)

3ª: Conselhos
Vou listar apenas dois, pra não virar receita de bolo:
Cabeça aberta: não questione os costumes e modos de lá, não os compare com os do Brasil. Não critique aqui, nem lá. É você que está indo para os USA, não os USA para você. Permita aprender e absorver tudo, e se manter a postura de querer ter sempre a razão, não vai aproveitar, pelo contrário: vai perder tempo. 
Tentei resumir o que umas quatro pessoas me aconselharam. E vou lembrar-me firmemente todos os dias, porque cansa e me irrita ver AuPair que acabou de chegar lá metendo a boa no Brasil ou nas atitudes das que aqui ficaram, ou o inverso - gente que tá fora e não respeita o comportamento estrangeiro. Um brasileiro NUNCA vai agir como um americano e claro que um americano não vai ser como um brasileiro. Respeite e permita-se. 
Nunca se esqueça de onde você veio, das suas raízes. Do seu país, da sua família, da sua educação.
Tenho exemplo na família (e não tenho vergonha nem medo de dizer!) que saiu do país e começou a criticar meio mundo aqui, esquecendo de onde veio. Brasil virou lugar de pobre, família virou gente desconhecida e por aí vai. Pena, apenas este sentimento.

4ª: Apoio
Quando falo em apoio, menciono uma minoria que analisou e avaliou cada pró e contra em sair do emprego, deixar família e namorado. Dizer 'Isso mesmo, vai' e 'Você está tomando a decisão certa, tal motivo vai ser difícil e tal motivo fará valer a pena' podem parecer similares, mas aos olhos de quem vive a decisão, soam com intensidade bem distinta.

O apoio de algumas pessoas-chave foi essencial para minha decisão - e nesse meio encontrei familiares e colegas de trabalho, que hoje se tornaram mais do que isso. Por conhecerem minha realidade, seja dentro de casa ou no ambiente profissional, puderam me aconselhar - e isso não significou um 'Isso mesmo, vai'. Foram conversas, algumas mais longas, outras rápidas e umas com detalhes mais densos, mas todas com o mesmo intuito: mostrar todas as consequências de uma decisão.

Fiquei surpresa também com o apoio de alguns conhecidos não tão próximos, mas ao tomar conhecimento me presentearam com palavras que incentivaram e animaram ainda mais. Esse foi o lado bom de ter Facebook - tem muita gente que não vai dar tempo de sentar pra tomar um 'café', e a rede social deu uma ajudinha. Nunca vou esquecer da fábula do sapinho surdo.

5ª: Curiosidade
Teve quem nunca tinha ouvido falar do programa AuPair (nem eu sabia, há uns 5 anos!) - e com isso, apareceram várias meninas querendo ir também. Normal, afinal é uma baita chance de morar, trabalhar e estudar no exterior - quem nunca quis? O que tenho certeza é que grande parte é fogo de palha e vem perguntar só por especulação. Ficarei feliz se minha 'coragem' ou qualquer informação que eu forneça ajudar alguém a se decidir e tomar o mesmo rumo - ou a realizar algum sonho que pareça ser 'impossível'. 

E também apareceram aqueles curiosos, com a famosa admiração-falsa: 'nossa, como você consegue viajar tanto?'. Minha versão arrogante me faz querer responder com um 'trabalhando na esquina' ou 'dando um golpe em um velho rico' ou ainda 'meu pai paga tudo - hahaha ah tá!'. Mas aí forço um pouquinho e encontro uma Aline um pouquinho paciente (mas BEM pouquinho) que responde assim: 'Eu viajo porque fui forçada a aprender a planejar. Pago tudo adiantado, e quando volto, dá para começar a planejar e pagar uma nova'. As vezes respondo que 'enquanto todo mundo da minha idade financia um carro em 42x, eu financio várias viagens' - mas isso só quando a paciência não tá lá aquelas coisas. 

6ª: Revolta / Cólera / Inveja / Afastamento 
Resolvi reunir todos esses num só, porque é tanta coisa ruim que é melhor ficar junto pra não espalhar pelo post. Quem pensa que não tem gente que sinta qualquer coisa semelhante aos acima, que se engana - e o pior, vem dos mais próximos e até queridos. Para exemplificar bem, seguem algumas frases típicas: 'Você é egoísta, não pensa na sua família, no namorado, na oportunidade que deram em seu trabalho'; 'Que legal'; 'Agora que tem o visto, vai longe - e não precisa de ninguém' e até um doloroso 'Não me peça para vibrar com você sua felicidade'. E algumas outras que não vale citar, porque também nem vale a pena pensar em quem proferiu. Não foram somente frases, mas também atitudes - e algumas que sabemos depois, através de outras pessoas (fofoca nessa hora é o que mais rola - FIQUE LONGE!). 

Mas sabe duma coisa? Isso não me fez mal, apenas me fortaleceu e descobrir quem eu realmente podia contar e levar pro resto da vida. Não me arrependo de ter deixado tais pessoas para trás, pois levar sentimentos assim adiante só vão deixar a mala mais pesada. Após passar por algumas tempestades, hoje não tenho mais tanta gente ao meu lado - mas como Deus disse através do Abner: 
É comum ver pessoas se esforçando para serem populares. Algumas chegam a sorrir quando não querem, a falar o que não sentem e até fingir o que não são. Prefiro ter uma pequena agenda no celular que a ilusão de estar rodeado por uma mentira contada por mim mesmo. E quando me perguntam qual o motivo de eu não fazer questão de estar com pessoas populares, respondo sempre a mesma coisa: a vida é curta demais para fazer colegas.
Nessa bagunça toda, minha enxaqueca virou explosão e meu estômago quase se rendeu à gastrite; meu coração chorou algumas vezes e ainda sente um aperto doído que tem diminuído aos poucos. Mas percebi que um colega de trabalho, vai ser sempre colega de trabalho; não é porque conheço alguém há 8 anos que a amizade é sincera e verdadeira. Não desmereço e não julgo mais (embora tenha julgado por um tempinho), pois no final a culpa foi somente minha: depositei confiança demais. Pessoas são humanas - erram ou não dão a mesma importância que damos ao relacionamento. Paciência. 

Se você viver algum desapontamento com alguém que gosta muito, fica minha dica de acordo com minha experiência: respira, que a dor passa e o coração precisa de espaço para se curar e preencher o lugar deixado por quem o decepcionou. Tudo na vida passa, até uva passa! :p




Não preciso dizer mais uma vez que nenhuma reação ou opinião me fez repensar minha decisão, né? Mas meu EU queria que documentasse isso, para que meu EU FUTURO lembre de cada palavra recebida no momento mais importante da minha vida. 

Pra quem tá pensando em fazer 'uma loucura' como a minha, de viver um sonho... vá se preparando. Coisa ruim, vem de monte! Mas a parte boa vem lá de dentro; satisfação de fazer PARA VOCÊ e não PELOS OUTROS. Porque afinal, como dizia Pedro Bial, no final é só você contra você mesmo.





Ps.: para quem se mordeu com o post e quer adicionar mais ofensas ao pacote, vem aqui em casa e abre o coração! Não fala como anônimo não, porque nunca saberei quem é você e de nada vai servir seu comentário. No momento nem ligo mais pra isso, mas já deixo o recado pra não perder tempo - afinal, se veio até meu blog é porque sente saudade e quer saber como estou, né?! :) Mas respira e tira a raiva momentânea de si, faz uma oração. Afinal, a boca fala daquilo que o coração tá cheio, dizia a Bíblia! ;) 

11 comentários:

  1. Aline, nunca imaginei tanta coisa acontecendo nesse momento pré-viagem. Meus dois intercâmbios aconteceram meio que de supetão e, tirando os muito próximos, a maioria só ficou sabendo quando eu já tinha ido. Mas sei bem que existe pessoas que não sabem lidar com o sucesso/felicidade alheia e acha que tem direito de opinar.
    Mas se cubra de todo amor e energias positivas e vá em frente. Viver é isso.

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    1. Acho que ir assim, de supetão, deve ser até melhor, né? Não dá tempo de criar ansiedade, gerar opiniões e coisas desnecessárias!

      É, vamos viver! :)

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  2. Aline, é um saco lidar com esses comentários. Ainda mais quando a família é mega intrometida, como a minha, por isso que no meu último intercâmbio eu nem avisei nada pra ninguém. Fui, voltei, e nunca comentei nada. E olha, você é corajosa sim, e acho que você ficou abismada com todo mundo te chamando assim porque isso hoje em dia é raridade. Você também é muito forte, pois continuou firme na sua decisão, apesar de tantos palpites. Te admiro muito por isso. Também sei como há pessoas que parecem ficar "com raiva" quando decidimos ir atrás dos nossos sonhos. Ao contar para "amigos" que eu estava prestes a realizar o meu sonho, muitos deles simplesmente olhavam pra mim sem demonstrar qualquer reação. Bom, se a pessoa não demonstrou felicidade por eu estar realizando um sonho meu de tempos, não há mais nada pra comentar, né?

    Tudo de bom nessa nova fase da sua vida! beijos :)

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    1. É, Marcela... poderia ser tão mais simples se as pessoas não fossem tão munidas de 'reprovações', né? Mas como disse, cada decepção só acrescenta - e saímos ganhando! Quanta gente que nos faz mal inconscientemente e só vemos que estamos melhores sem elas depois de abandoná-las?

      Obrigada pelas palavras! :))
      Um beijo!

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  3. Eu tenho TANTA coisa pra falar, mas prefiro transmitir tudo num abraço longo no dia 30 o/

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  4. Muito bom Liny! É a pura verdade....adorei! :)

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  5. Tem como te admirar mais?? Vc sempre foi um exemplo pra mim, pela pessoa incrível que é, agora pela coragem e determinação. Saiba que fiquei muito feliz por vc, muito mesmo.

    Estarei orando pra que tudo ocorra bem, pra que Deus te carregue no colo nos momentos difíceis, que a virgem Maria te acompanhe. ;) Beijo e Muito sucesso!

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    1. Obrigada, florzinha :D
      Coragem e determinação são qualidades que todos nós temos! Alguns usam para viagens, alguns usam em outros sentidos da vida! ;)
      Que Deus guie sempre nossos passos, e que nossos sonhos estejam entrelaçados nos planos dEle!

      Beijão!

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  6. isso ae menina...."vale muito mais um gosto do q dinheiro no bolso".
    coragem e fé, só isso tenho pra lhe dizer.

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