Como viajar sem ser rica

quarta-feira, junho 25, 2014 Aline 9 Comments

Para engrossar o mingau das postagens tipo "como pago minhas viagens sem ser rica", hoje a minha ídola-master Jana Rosa postou um texto bem interessante, que sou simplesmente obrigada a concordar desde a primeira letra, até o último ponto final.

O correto não é bem "colar" o texto aqui e sim direcionar você leitor ao blog dela, mas não resisto e preciso torná-lo parte desse meu diário online. 


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Tá viajando é porque é rica?
25 jun - Por Jana Rosa
Irmã, se liga na bobagem que você acabou de falar. Não precisa ser rica pra viajar.
Eu te juro, olha só: escrevo esse texto no aeroporto, feliz que vou pra mais uma cidade que amo, enquanto isso minhas amigas devem estar na Marginal Pinheiros, duas horas no carro, chegando em casa onze da noite, passando o sábado no cinema do shopping, contando os dias pro feriado. O que isso tem a ver? A maioria delas tem MUITO mais dinheiro do que eu tenho, algumas são realmente ricas, cabelo sedoso, bolsa de marca, tem casamentos pra ir em Trancoso (e eu não sou rica, só fui juntando dinheiro enquanto trabalhava, meu cabelo tá podrinho, minha bolsa comprei no México, nunca pisei em Trancoso).
Deixa eu explicar melhor, não tô falando de tirar férias, todo mundo tem as suas, ou deveria ter (se você trabalha sem direito a férias é melhor rever seu trabalho e seus direitos). Nas férias você pega seu dinheirinho e vai pra praia, NY em parcelas, pro sítio, fica em casa atualizando os seriados que ama.
Tô falando de viajar, viajar é diferente.
Quando você decide “eu quero VIAJAR, quero ir pra tal lugar, quero ficar um tempo em tal outro lugar, ver tal coisa, fazer tal outra coisa”, você arruma sua grana.
Trabalha mais, economiza, para de tingir o cabelo no salão e compra a caixinha de tinta pra fazer em casa, nunca mais compra um maxicolar de 300 reais, dá seu jeito.
E na boa, nao tô falando “ai como é fácil economizar dinheiro e juntar e viajar, lymdas!”, demora muuuuito tempo pra isso, decidir fazer uma viagem longa é um plano de mais de ano, o meu começou em 2012.
Quando você decide viajar e não tirar férias rapidinho, você aprende a ficar em hostel baratinho nem tão confortável como sua cama, não janta nunca mais em it restaurante das cidades que visita, não compra um monte de roupa na H&M (passa a achar 10 euros absurdamente caro e tem pavor de mala pesada). Rua que tem Chanel e Miu Miu, você nunca mais sabe onde fica.
E na hora que descobre que o dinheiro que juntou pode render dias, meses em lugares maravilhosos que te fazem feliz, você faz ele render mais ainda, vive com muito menos, jamais lembra de querer a maquiagem da temporada, nem passa pela sua cabeça olhar o duty free do aeroporto.
Viajar tem muito mais a ver com coragem do que com dinheiro. Entenda isso.
Tenho menos dinheiro que minhas amigas, mas saí de um emprego até que legal, disse não pra outros trabalhos que pareciam legaizinhos, porque já tinha algo na minha agenda, tinha decidido viajar, dar um tempo, ver minha vida de longe e pensar nela um pouco (Retorno de Saturno bombando). Se tivesse ficado em casa, continuaria trabalhando, ganharia mais dinheiro, talvez aí estivesse quase rica, mas nunca ia saber como era largar tudo e viver com o que eu tinha por um tempo, dá pra entender?
Claro que dá medo, muito medo, medo o tempo todo! De voltar e nunca mais arrumar um trabalho, de gastar todo o dinheiro que juntou e nunca mais conseguir comprar uma passagem pra um lugar desconhecido legal ou pagar um aluguel, de perder alguma coisa muito interessante que vai acontecer perto de casa enquanto você estiver fora.
Mas sinceramente, acho que no fim tudo dá certo, a vida simplesmente continua, nunca ouvi falar de ninguém que arruinou sua vida porque deu um tempo pra sair por aí viajando.
Na verdade sempre é o contrário, você volta sabendo mais, conhecendo mais gente, falando outras línguas com fluência, ganha todo tipo de cultura, desde trash até política sobre cada lugar que passa.
Mas na boa, sentir medo? É melhor sentir esse medão e frio na barriga de vez em quando de ” meudeus, e quando eu voltar, hein?”, do que ficar apavorada em casa vendo TV e imaginando como gostaria de largar tudo e fazer a louca pelo mundão, mas não tem coragem de sair do emprego, namoro, cidade, vida mais ou menos que tá te entediando.
Viajar, que não é férias, é cair nesse mundo e ver “qualé mermão”, é um negócio que jamais teria a ver com ser it rica, é um tempo pra viver a vida, aproveitar ao máximo, aprender um monte de coisa e depois ver o que faz, se volta do mesmo ponto, se recomeça, se não volta nunca mais e vende pulseirinha na Guatemala feliz pra sempre, é tipo ver aquelas mensagens de autoajuda do pinterest e pela primeira vez não se sentir mal porque não tá vivendo hoje.
E repare bem, essa é a verdadeira riqueza, e juro, ela custa muito mais barato do que você imagina. 
***
E eu sou mais uma dos exemplos de que é possível viajar sem ser financeiramente privilegiada (ou dar um golpe num velho rico, como costumo brincar). Assim como também faço parte dos que juntaram uma grana, largaram tudo e foram pro mundo. 

2012 foi um ano muito interessante. Descobri, por exemplo, que consigo "fazer" minhas unhas sozinha, e com isso, economizava uns R$ 30/semana com manicure. Mas também foi difícil ver vários tipos de sapatos novos chegando no mercado (como a onda do Sneaker) ou modinhas (como uma camisa xadrez) e não comprar NADINHA. Não, em 2012 nenhuma peça nova entrou em meu guarda-roupa (e hoje em dia, só compro algo se precisar); foi muito difícil resistir aos finais de semana e aí tive que ampliar minha lista de filmes, séries e livros. Lembro de um dia que um colega convidou para um barzinho, e tive que juntar todas as moedas que tinham na casa para poder sair. Levei R$ 25, consegui tomar duas cervejas decentes e ainda raxar uma porção de Mandiopan. Aprendi a jantar antes de sair e o mais óbvio: usar moedas. Ainda uso, e os que me acompanham sempre se envergonham.

2014 está sendo interessante por um outro lado, e a Jana resume bem: "Mas sinceramente, acho que no fim tudo dá certo, a vida simplesmente continua, nunca ouvi falar de ninguém que arruinou sua vida porque deu um tempo pra sair por aí viajando.". Se algum dia você aí tiver esse medo, coloque-o na mala e vá embora pra onde quer! Eu fui, deu errado (por conta da coluna, mas deu), voltei sem grana, sem convênio médico, sem emprego, sem sonho, sem ter feito metade do que queria e o pior, com um "lixo" de saúde. Mas tinha família, casa dos pais e um namorado-melhor-amigo, e hoje estou na atividade de novo: trabalhando na minha área, vendendo cupcakes (e os tornando um passatempo), fazendo um curso interessantíssimo sobre aviação e de quebra, já consigo andar de bike de novo. E faria tudo de novo! o/ 

Tá vendo? A gente simplesmente PRECISA arriscar, pois se não sonhos serão apenas devaneios e quando você, mais velho, encontrar alguém com sua idade hoje, vai se ver dizendo: "se eu ainda tivesse sua idade, teria feito tanta coisa que queria e não fiz por medo, bobeira!".

Sim, você vai precisar passar vontade e se privar de MUITA coisa, mas um grande feito só acontece se pequenos passos foram dados - mesmo que isso signifique não comprar um salgado frito na esquina. Faça um pote com moedas, comece a vender algo (no meu caso, cupcakes), mas FAÇA ALGO. 

Vá viajar, vá ampliar sua mente! Como diz um outdoor perto de casa: conhecimento é única bagagem que se leva durante a vida e não pesa!

:)

9 comentários:

  1. Minha querida, concordo com tudo. É simplesmente uma questão de prioridades, né? Lembro que meu pai ficava me zoando porque quando eu estava na faculdade estagiando, eu praticamente deixava todo o dinheiro da bolsa na poupança. Ganhava pouquíssimo e tirava só o necessário, mas eu tinha um objetivo que era viajar e isso me mantia no foco.

    Estou tão feliz de ver que vc está indo bem. A vida nem sempre é fácil, mas é preciso saber dar a volta por cima, né? Um abraço forte em vc.

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    1. Exatamente, Paula... prioridades!
      Eu quero MUITO um outro intercâmbio, mas preciso definitivamente fazer uma pós. Vai ter que rolar MUITO cupcake pra poder dar conta de tudo! : hahahaha

      É isso mesmo... precisamos sempre recomeçar!
      Obrigada, querida e um beijo!

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  2. ah desculpa, nem me identifiquei. Sou a Vanessa do blog caixa dos desejos.
    Aliás, você podia abrir para a gente comentar com a conta do wordpress, sem querer ser abusada rs.

    Beijos!

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  3. Oi Aline, desculpa a demora em vir visitar seu cantinho, tive alguns problemas.
    Mas olha, concordo totalmente com o post. Só eu sei do que tive que abrir mão para viajar. Não tenho um celular dos melhores, pra vc ter uma idéia rs. Mas há quem me ache a pessoa mais metida do mundo só porque já viajei para alguns países. Pessoas que ganham muito mais dinheiro do que eu, mas preferem gastar com roupas caras e coisas assim. Daí eu sou a metida... Estranho rs.

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    1. Oi, Vanessa!
      Seja bem-vinda! :)

      Entendo bem o que diz. Vivo isso também, inclusive em outros aspectos. Não falo de preço, falo de apreço! Cada um com suas prioridades, não é?! :)

      Somos sempre metidas! :p

      Beijos!

      Ps.: acesso liberado para comentários sem contas de e-mail! ;)

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  4. Lindo post! Acho magnífico esta sensação de liberdade típica de gerações pós fim da ditadura! E também muito top o fato de que agora dá pra comentar mesmo sem ter Google account! =P

    Aline e fãs do blog, uma curiosidade: em que momentos de nossas vidas foi que nós desenvolvemos este perfil desprendido e viajante?

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    1. Fê,
      Essa discussão é longa! hahaha
      Estou bolando um post baseado em nossa conversa sobre Geração Y!

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  5. Adorei, Aline. Realmente, tudo na nossa vida é questão de prioridade. E quando enumeramos o que é realmente importante, deixando de lado inumeras coisas supérfluas que juravamos ser estritamente necessárias nas nossas vidas. Eu so faço a unha do pé de 15 em 15 dias. As mãos eu mesma faço, e faço quando dá vontade. Hoje não me importo tanto em não faze-las.

    Seu blog é muito, MUITO inspirador!

    beijo!

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    1. Bruna,
      Primeiramente, obrigada (assim como seu blog também me inspira e muito!).
      Eu tbm só faço as unhas dos pés e mensalmente, porque se eu mexer, não consigo calçar nenhum sapato! hahaha Mas quando uma coisa abstrata passa ser mais importante, as concretas e físicas nem incomodam!

      Beijo!

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