Duas pragas em Praga

terça-feira, junho 10, 2014 Aline 2 Comments


E aí me dei conta que não terminei os posts sobre minha tão sonhada viagem, a qual me fez começar esse blog. Vamos continuar?! 
Mas primeiro... Por que escolher Praga?
Eu escolhi (e o Marcus foi de gaiato! haha) porque tinha uma cultura leste-européia bem diferente do restante que iria, além da fama por ser pioneira na fabricação de cervejas. Precisava escolher a 5a cidade do meu mochilão, e França e Italia mereciam uma viagem unicamente a elas - dois dias? No way. 
Após respirar a Segunda Guerra Mundial (a qual tenho um interesse inexplicável) em Berlim, retornamos à Bahnhof-mais-incrível-que-Guarulhos com destino à Praga, que segundo mapas e o Google, estaria aproximadamente a 4h de trem.
O trajeto foi composto por uma paisagem totalmente diferente da qual havia imaginado – pensava ver montanhas e colinas alemãs, porém o cenário era de uma mata semi-abandonada (lembrando ainda mais o período de guerra) com neve em certos pontos. Foi a primeira vez que a vimos, então os dois brasileiros-caipiras ficaram admirando e fotografando o chão branco.




Com o clima frio, cinza e o trem totalmente vazio, conseguimos dormir, folhear revistas em idiomas doidos até então e tentamos por mais de 3h decifrar a nacionalidade do único casal (já de idade) que dividia o vagão conosco. No final, trocamos alguns comentários sobre o local, nos contaram que eram da Índia e que também estavam “mochilando”.
A noite chegou cedo (não eram nem 16h) e a sensação de estarmos perdidos (como na Holanda) tomou conta. A estação não era nada clean e organizada como em Berlim e por um momento lembrei da rodoviária de Sampa. Precisamos comprar um tícket de metro e, tchã-ram: os poucos atendentes não falavam inglês, e a maquininha não era tão simples de se operar. A salvação foi um policial, que explicou MAIS OU MENOS como funcionava.
Não tão mais agradável e nem mais complicado foi usar a moeda, coroa tcheca. Era impossível não utilizar o conversor do celular! Como conseguir o dinheiro? Antes de viajar, lemos em vários sites que a galera costuma “sacanear” e o turista pode ser enganado pelas cabines e/ou casas de câmbio, portanto, preferimos sacar do meu travel card (que era em Euro) tendo uma taxinha básica de saque em outra moeda. Tem quem arrisque, tem quem compre antes, mas naquele momento achamos melhor proceder assim.
O metro nos levou a estação mais próxima do hotel reservado (longe pacarai do centro, tks again CI) e andamos uns 10min. Tudo escuro, prestes a chover e pouco movimento: claro, ficamos com medo. Mais tarde, o recepcionista do hotel afirmou que a redondeza era segura e que podíamos andar tranquilamente a pé.
O quarto era bem enorme, e a estrutura e mobília eram antigas. Por um momento fiquei com medo de achar um corpo escondido no guarda-roupa, mas como sou meio dramática, desconsiderem (assim como fez o Marcus). Mesmo sendo 22h (com cara de madrugada) de uma noite fria e sombria, saímos explorar o bairro e achamos um único restaurante/bar aberto. 
Choque cultural: o cheiro fortíssimo de cigarro nas dependências. Em Praga (e creio que em toda Rep. Tcheca) ainda é permitido fumar em locais fechados, então A) pergunte ao garçon se há uma área reservada a não-fumantes; B) segure o olfato um pouco e seja tolerante e C) procure outro estabelecimento – mas creio que todos terão o mesmo odor, diferenciando apenas na intensidade.
A garçonete era bem mal educada, mas nos trouxe uma cerveja do país, Pilsner Urquell. Era boa – não a melhor que tomamos durante a viagem – e conseguiu agradar nosso paladar mais do que as brasileiras. Nosso estômago pediu urgentemente por um prato tamanho ogro, e nos serviram as iguarias tchecas: carne goulash, com cremes que se assemelhavam a chantilly e pães levemente adocicados. Um tanto quanto estranho, não sei se repetiríamos, mas valeu a pena provar. Aliás, esse é meu conselho: aonde quer que vá, prove algo local – seja em sua cidade vizinha, no bairro afastado ou na pqp. Aliás, a Budweiser ORIGINAL mesmo, que nada tem a ver com a americana, é bem gostosinha - e não lembra sua xará, além de ser bem melhor.









Encerramos a noite com meu drama - ainda crendo que sairia um morto do armário – e acordamos prontos e famintos para o café da manhã, que pelo que ainda me lembro, foi um dos mais simples dos hotéis reservados pela CI. 
Seguimos andando até o centro (aprox.. 15min), admirando atentamente os detalhes da arquitetura. Aquele céu cinza pedindo para mandar chuva e aqueles edifícios antigos davam a impressão que estava na terra de Drácula (embora não fosse a Romênia) e a câmera reclamou logo cedo que a bateria estava bem low.












No centro, TIVE que parar em uma padaria Paul mesmo estando estufada do café - e sempre que encontrar qualquer outra vou parar, com certeza (#macaronfeeligs). Procuramos as cabines turísticas e ao encontrar o guia da agência, upamos no ônibus e rumamos a tão famosa Catedral.
O trajeto teve direito ao contexto histórico da política, religião e arquitetura de Praga, quando ainda fazia parte da Tchecoslováquia. O guia era um cara já idoso, careca e bem peculiar; fez o tour em alemão, espanhol e inglês e andava com um guarda-chuva gigante para que ninguém se perdesse do grupo. 
Ao chegar na parte antiga de Praga (Mala Strana – que me lembra uma música do Gui Boratto), subimos on foot até a Catedral e lá, tivemos um tempinho off. Era possível adentrar a parte interna, porém somente alguns poucos metros; para andar no restante da igreja era preciso pagar a entrada de (se não me engano) EUR 20, o que para dois ficaria em torno de quase R$ 100,00 na época – talvez valesse a pena se tivéssemos mais tempo. De qualquer forma, deu para tirar várias fotos e ter uma visão geral do local. Indico a subida, mesmo sem comprar os tickets! 
O tio-guia estendeu seu guarda-chuva e o seguimos até um restaurantinho que ficava na descida, um ótimo lugar para fazer selfies com vista da city. Depois o ônibus nos levou até uma das docas do rio Vltava e tivemos mais umas 2h de tour através de um barquinho, que cruzou a famosa Ponte Carlos. O tal barco tem a parte interna, que conta com restaurante (e muitos pediram uma cerveja) e o deck com mesinhas – que no nosso caso, deu para aproveitar bem pouco, pois o dia cinza fez questão de mandar garoa de tempo em tempo.











O dia se transformou em noite (novamente em torno das 16h) e como já estávamos ao redor do centro – e como mencionei o hotel era longinho – ficamos mesmo sem tomar banho (hehe) e procuramos pelo Ice Bar (aquele, todo feito de gelo). As entradas haviam se esgotado e só haviam ingressos para a baladinha, que não rolava pra gente - quem faz turismo saindo às 8h e andando o dia todo sabe o que é estar cansado no fim do dia – então andamos pela city e jantamos por lá mesmo. Tivemos novamente o problema do cigarro: queríamos o Friday’s, mas o cheiro interno estava insuportável; tentamos um outro na beira da praça central, pior ainda; ficamos entäo em um composto por muitas famílias, o que amenizou nosso problema com o odor e nos propiciou uma deliciosa comida tcheca. Voltamos a pé ao hotel, cansadíssimos e nos restou banho quente e cama. No outro dia, tiramos mais algumas fotos e colocamos o tal cadeado na ponte. So romantic! hahaha 








Para quem pretende um mochilão rápido como o nosso, o jeito é aproveitar um pouquinho de tudo e claro, se planejar para conhecer os principais pontos de interesse. DICA de como nos organizamos: todas as noites antes de dormir sentávamos com o mapa do local e após decidir quais lugares queríamos visitar, traçávamos uma rota logisticamente aceitável e checávamos quais trens ou ônibus devíamos tomar; verificávamos horários e tarifas, para não andar com tanto dinheiro ou não sentir falta das moedas. Estipulávamos certo tempo em cada ponto e claro, um pouco para o trajeto. Organização nunca atrapalha, né?! :)
Faltam fotos e até detalhes, mas convenhamos: como o rolê por lá foi em Março do ano passado, a mente da gente - e o HD - não conseguem guardar tudo! :(


Outros posts sobre essa viagem - veja na listagem de todas as postagens! :)

2 comentários:

  1. Me parece ser um lugar bem enigmático, né? Ou talvez o clima cinzento das fotos. Mas deve ter sido bem intenso e melhor sinda poder fazer essa viagem com o namorado.

    Saudades de você, querida. Espero que esteja bem.
    Um beijo

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    1. Paula,
      Os dias lá estavam tão dark que agora tenho uma vontade inexplicável de conhecer Praga no verão! Assim como Chicago... Acho que nunca mais viajo no iinverno! hahaha

      Beijão querida!

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