Ainda tô de luto, sim

quinta-feira, julho 10, 2014 Aline 8 Comments

Eu não consigo superar. Supero minha capacidade de acreditar nos outros e me decepcionar, supero até mesmo a produção do ganache que cobre o cupcake, supero o fato de que eu nunca serei magricela-esquelética-com-coluna-perfeita. Supero tudo, mas MENOS (por enquanto) o fato de eu estar aqui, e não lá.

A vocês pessoínhas que estão aí, passando o tempo lendo meu blog, já adianto que nesse post eu vou reclamar. Vou chorar as pitangas, re-sentir mais uma vez tudo que aconteceu no semestre mais intenso que já vivi. Prometo aliás que essa será a última vez que relembrarei a história, afinal, está mais do que na hora de SUPERAR. Mas não enquanto eu digitar sem parar sem me importar quão grande será o post, apenas com o intuito de registrar minha mágoa, raiva e inacredibilidade para a Aline do futuro se entender melhor. 

Elisabeth Kübler-Ross, uma psiquiatra suíça criou, após estudar vários doentes terminais, o que hoje chamamos de o modelo que leva seu sobrenome, responsável por nomear os estágios referentes a perda, luto ou tragédia. Com certeza você aí deve ter lido e/ou visto sobre, quem sabe até vivido. Vamos relembrá-los:


  1. Negação: "Não, não tá acontecendo. Sério que isso é verdade?!"
  2. Raiva: "TNC C%@#¨&#, por que logo comigo? Não mereço!"
  3. Barganha: "Eu não posso ceder agora, talvez com isso e isso dê certo e reverta!"
  4. Depressão: "Não quero mais saber de mais nada, afinal, nada dá certo mesmo!"
  5. Aceitação: "Let's move on, every new beginning comes from some other beginnings end". 
Eu já passei por todas elas, talvez. Ou eu ainda esteja na variável entre raixa x aceitação. A vida tá tão boa agora! Tenho um emprego que eu faço novamente o que gosto, estudo coisas interessantes, ganho dinheiro com meu hobbie, um namorado super legal, uma família, casa, água, comida, cerveja, carro. Desde o concreto ao abstrato. Devo ser feliz, né?

NÃO, eu não quero me conformar com isso. EU QUERO SIMPLESMENTE ESTAR LÁ, aonde eu deveria estar. Gente, sério: por que? Por que não fiquei doente antes de ir, ou meses depois? Não, não é justo, mesmo! (Sentiram a variação? Não é teatro, é real! É minha mente, insana, que briga internamente 24/7).

Eu amo aniversário, acho lindo o dia e todo 8 de Julho tem o ar especial que sabe-se-lá porque eu crio desde criança. Nesse, tudo seria perfeito: viagem para a Califórnia (my American Dream - já que não sou fã dos USA), praia, CALOR (odeio ter nascido no invFerno), sol, RHCP tocando. Aí saímos da zona de imaginação e nos deparamos com um dia frio, feio, cinza, chuvoso e sem músicas legais no carro (e 3G, daquele-jeito). Começo a falar toda essa ladaínha pra Deus e pergunto se tinha como o dia piorar. Ahhh tinha: congestionamento na rodovia que uso para trabalhar, 30km parados. E eu ia chegar atrasada no trabalho. TNC, NÃO ERA AQUI QUE EU QUERIA ESTAR! Não vou somar a derrota do Brasil porque não sou patriota nesse sentido, não me importo com futebol e já tô com saco cheio dos mimimis no Facebook. 

Hoje às 7h estava lá eu, plantada no consultório para a rotina que marquei com aquele simpático médico que me operou aos 18 e aconselhou obrigatoriamente uma nova cirurgia há alguns meses, quando voltei. "Ah, Aline, você é meu exemplo! E é claro que sua hérnia ia ceder, a gente sabia que não precisava de uma cirurgia!". Estou resumindo, mas por que raios lá em fevereiro desisti de um emprego por causa do que ele falou? Por que eu voltei, meu deus do céu e da terra?! Eu saí muito puta do consultório porque não me considero vencedora nem todos os adjetivos que ele me deu. Eu teria sido se estivesse lá, feliz e sorridente andando de CTA, pegando as coisas das crianças do chão a cada minuto e comendo dunkin donuts até explodir.

Espero ler esse mesmo post daqui poucos meses e ter superado, de verdade. Eu não aguento mais essa pressão, insatisfação e neura de estar onde eu não devia estar. Sei que tudo tem um motivo, razão, tempo e blábláblá. Mas hoje eu tô bem nervosa, de tpm, quero que o médico pare de obrigar cirurgias não necessárias e se eu pudesse, pelos desígnios de nosso Senhor, ter uma chance uma vez na vida (barganha) de viver meu sonho, ficarei grata.

Aline do futuro, por favor, diga-me que isso vai passar!

Pra quem leu esse post, meus sinceros pêsames e desculpas. Eu precisava me abrir e sim, TINHA que ser aqui. Esse blog me deu esperanças que é possível viver um sonho, agora só preciso aprender a viver o luto de quando um morre.


Ps.: namorado, eu amo você e a vida que temos aqui. Sou grata por você, minha família e minha atual rotina. Mas isso não me faz aceitar o que aconteceu, ok!? Pessoas, não julguem, orem por mim! 

8 comentários:

  1. Eu juro que pensei, pelo título, que vc fosse falar da seleção.
    Mas olha, eu entendo. Entendo toda a raiva, a insatisfação de estar aqui, a dor de ver nosso sonho morrer e a vontade de chorar, só chorar. Vc tem todo o direito de se sentir assim, de viver o seu luto, de reclamar no blog e de ficar puta da vida com o médico e com quem mais for.
    Ainda agora eu estava na minha varandinha vendo o pôr-do-sol e refletindo sobre o que conversamos, sobre a minha vida até agora e cheguei à conclusão de todas as vezes que perdi algo que eu amava ou havia desejado muito, algo de muito melhor me aconteceu depois.
    A gente não consegue entender e se acha injustiçado por Deus e pela vida. Mas a gente só vê o hoje, Ele vê o todo. Tenha certeza que vc vai sim fazer muito mais viagens e viver esses sonhos todos. Nada morreu.
    Vamos apenas confiar, minha linda.

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    1. Ai Paulinha, depois que postei pensei em apagar o post, afinal o blog está na web - então não é só pra mim. Mas segui a filosofia "fez, agora enfrente" e realmente quero ler isso com outros olhos mais pra frente.

      Talvez eu esteja nostálgica por conta da data e do que havia planejado, ou por ver todas as meninas que foram comigo postando fotos do lindo verão com "Happy 7th month". Fico pensando "era pra ser eu", mas aí lembro que essa não é minha vida mais e que a grama do vizinho sempre é mais bonita mesmo.

      Que Deus console nossas angústias, e que possamos confiar principalmente nos momentos de desespero.

      Obrigada pelas palavras como sempre!
      Quem disse que não existe amizade virtual?

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  2. Querida Aline

    Eu não irei te dizer que tudo irá passar o mais rápido do que você imagina, não irei dizer que não passa de uma fase de nossa vida e tudo serve de experiência para você madurecer, pois nada isso irá conforta-la.
    Ao invés disso eu irei dizer para levantar a cabeça, respirar fundo e seguir enfrente. Deus não dá o fardo maior do que ele sabe que você pode carregar.
    Pegue o seu carro em um final de semana, 100% sozinha e faça uma viagem, vá para algum lugar que se sinta bem e em casa, reflita sobre a vida, trace metas e objetivos, depois compre um bom vinho, dance como uma louca e chore ate a garganta arde, acorde com ressaca (se assim desejar) e pronto So não vale dirigir depois rs você no mínimo se sentirá mais leve, talvez verá as coisas com mais clareza e poderá encontrar a solução.
    Fique bem Aline, todos nós precisamos surtar primeiro antes de conseguir achar uma solução.

    Beijinhos

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    1. Mari,
      Acredita que estou com uma vontade imensa de fazer algo assim, sozinha sozinha? Eu amo a cia do namorado e ele é um ótimo parceiro de viagens, mas talvez agora, que as nuvens estão começando a sair de cena, eu precise de um tempo sozinha, sem o ambiente da minha casa, trabalho. Vontade realmente de ficar só. Você sentiu minha vontade aí de longe!

      Obrigada pelos conselhos, pelas palavras! Internet traz muitas coisas boas tbm! :)

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  3. Aline, é muito difícil saber o que dizer, porque você está triste, decepcionada, ainda não se conformou, e é isso mesmo. Você tem o direito de sentir assim, pois era uma coisa que você queria tanto e infelizmente não deu certo. Nem tudo dá certo, e às vezes no futuro percebemos que isso foi bom. Às vezes nunca chegamos a essa conclusão, mas sei lá, sou daquelas que acha que o tempo cura tudo. Uma coisa é certa: sua viagem acabou, você já está no Brasil e aquele tempo não vai voltar. Acho que você precisa criar outros sonhos, talvez isso te ajude a esquecer um pouco essa decepção.

    tudo de bom pra você, e que você consiga realizar muitos sonhos!!!

    beijos

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  4. Marcela,
    Sim, acabou e tem dias que simplesmente não consigo aceitar - não o término, mas o porquê dele.

    Você está certa, eu penso assim também. Só tem dias que, são aqueles dias.

    A vida segue e um dia, quem sabe, eu supero!

    Beijos

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  5. Poxa estou aqui sem saber o que dizer :( eu tenho certeza que em seu lugar eu também estaria me sentindo muito mal, porque quando somos obrigados a fazer algo a sensação é terrível. E você não teve escolha, interrompeu todos os planos. Isso já aconteceu comigo, Aline. O sentimento é de luto mesmo, e não passa tão rápido. Mas olha, já aconteceu tanto de eu ter reclamado que "todos os meus planos deram errado, foram por água abaixo", e só muitos anos depois pude perceber que por ter dado errado lá atrás, algo muito muito muito bom aconteceu lá na frente. Exatamente como a Paulinha falou. Acredite nisso para ter mais forças. Acho que esse sentimento ruim vai demorar a desaparecer, mas mantenha-se positiva para ajudar a superar ;)

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    1. Pois é, captou exatamente o que sinto... Mas enfim, um dia TALVEZ a gente entenda tudo, enquanto isso vamos vivendo, nos adaptando e criando novos sonhos, como disse a Marcela.

      A vida segue, né?!
      Beijos!

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