Viajar x rotina

terça-feira, agosto 11, 2015 Aline 4 Comments


Sim, estamos "sumidos". Nossa atualização semanal as quartas está um pouco atrasada, temos muito o que contar sobre nosso mês na Europa - as surpresas, perrengues, a incrível e nova experiência de só se hospedar pelo Airbnb... Mas enfim, nossa rotina está um pouco diferente do que estávamos acostumados.

O Marcus decidiu ampliar seu nicho de conhecimento e agora além de engenheiro, começou a estudar algo relacionado a construções de móveis em madeira (já imaginam nossa casa toda artesanal? :P) e engatou uma pós. E eu também (finalmente) iniciei meu MBA. Além do fato de retornar à escola, após a viagem comecei em um trabalho novo e isso por si só já transformou minha rotina por inteira. Trabalho mais longe de casa, minha carga horária não tem sido fixa e tem toda aquela empolgação do início. Já tem a "pressão" para que eu fale logo o idioma oficial da empresa, então lá vamos nós tentar encaixar mais algumas atividades extra-curriculares. 

O fato é que nem deu tempo de ter uma depressão pós-viagem. Concordo que para mim tudo é tao novo que mal lembro que há um mês estava comendo gnocchi até morrer, mas acho que mesmo para o Marcus - que permanece em sua rotina profissional - a vida aqui não tá ruim a ponto de querer férias eternas no exterior.

Tenho lido muito (aliás, quem não?) sobre vida nômade e todo o blábláblá, e entendo bem o que é voltar de um intercâmbio e não se encaixar no país por N motivos (tanto que abandonei tudo aqui e tive que voltar com o rabinho entre as pernas). A questão é: não podemos nos iludir com a promessa de que largar a vida corporativa e partir pro mundo vai ser melhor. 

Não digo "não faça" - até porque cada um sabe sua realidade, sentimentos e objetivos - mas sim pontuo uma reflexão sobre como hoje em dia a solução parece ser "fugir dos problemas/rotina". Quem não se aguenta perto de tanta gente no ambiente corporativo, como vai aguentar a solidão - que vai bater sim inúmeras vezes na vida de um nômade? Como vai aguentar os outros tipos de pressão? 

"Ah lá a menina que não conseguiu morar fora por muito tempo falando". Mas aqui também está a menina que tentou fugir da sua realidade - e de seus problemas - e sentiu na pele o quanto eles nos perseguem, independente onde estivermos. 

Nossa vida não é receita de bolo nem de felicidade a ninguém, não somos exemplos e tampouco perfeitos - bem longe disso! Mas se podemos dar um conselho: deixe a sua rotina suportável e até agradável. Escolha um curso ou uma atividade nova - por mais que o conselho pareça cliché, nossa nova rotina está tão interessante quanto viajar. 




Fotos: um cantinho escondido - mas fofo - em Londres (algum lugar perto da Liverpool Street). 

4 comentários:

  1. Adorei a reflexão. Sim, viajar é ótimo e às vezes meu desejo era ter milhões para sair por aí sem rumo, mas acho que uma hora essa falta de raiz iria me incomodar e that's ok too.

    Você e o Marcus são um amor de casal.
    xx

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  2. Ótima reflexão, Ana! A Maiara postou sobre isso tambem no blog nessa semana. É complicado ne? A gente ve as pessoas vendendo essa receita de bolo e se agarra na esperança de que é isso que vai nos salvar...

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  3. Aline, fico feliz que seu retorno a rotina tenha sido bom. Eu acho que é próprio do ser humano querer fugir quando está infeliz. Mas as coisas nao sao tao simples. E sim, ás vezes encarar o mosntro de frente traz ótimos resultados!

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  4. Eu sempre desconfio desses textos internéticos do "largou tudo, virou nômade digital". Eu bem que queria mesmo morar seis meses em cada cidade, percorrer o mundo enquanto trabalho pela Internet algumas horas por dia... Mas convenhamos que isso é para um em um bilhão, afinal por mais que vivamos na era internética, a humanidade precisa produzir coisas materiais, não virtuais para viver...

    Acabo de voltar de um intercâmbio e estou tendo dificuldades para me adaptar à realidade, mas sei que fugir ou ficar se esperneando para fugir não é solução pra nada...

    Beijos!

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